Breve perfil da serva de Deus
Fundadora
Madre Giovanna Francisca do Espirito Santo
(ao seculo Luisa Ferrari)
Fundadora das Missionárias Franciscanas do Verbo Encarnado
Nascida em Reggio Emilia em 14 de setembro de 1888 e morta em conceito de santidade
na Casa Generalícia em Fiesole (Florência) em 21 de dezembro de 1984.

BIOGRAFIA
- O ambiente familiar de Luisa
- A indole e o genio
- A vida crista
- Os estudos feitos
- As atividades educativas
- A vocacao e a especial atracao do Verbo
- A caminhada franciscana
- A intuicao fundamental
- O Carima de Fundadora
- O exemplo apostolico
- O misterio da Cruz na fidelidade ao carisma
- A alegria da agregacao a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e da Aprovacao eclesial.
- Missionaria Franciscana do Verbo Encarnado e Superiora Geral
- O Zelo missionario
- Na Igreja: amor ao Papa, obediencia, fidelidade.
- Na renovacao do Vaticano II com abertura ecumenica
- A maternidade espiritual
- A maternidade espiritual
- Uma "mulher de Deus"
- A "Mae e as filhas"
- A sua preciosa contribuicao pelas Contituicoes
- A purificacao e a oferenda
- O encontro definitivo com o "Esposo"
- A fama de santidade
O ambiente familiar de Luisa Sétima filha do casal prof. Giuseppe Ferrari e Eurosia Salami, Luisa recebeu dos seus pais um testemunho de amor e fidelidade recíprocos. Manteve com eles uma relação rica de confiança e afeto, fundada na estima e no respeito e favorecida pelo seu caráter fortemente carinhoso.
Rodeada de irmãos e irmãs, Luisa teve na família uma academia para crescer nas relações humanas e para fortalecer o próprio caráter; relações essas nem sempre fáceis devido à diferença de idade, sendo que ela era a filha caçula e de sensibilidade e orientação religiosa.
A índole e o gênio
Luisa recebeu do pai, sobretudo as características intelectual-volitivas e da mãe a índole religiosa e a abertura para a vida cristã. Os testemunhos concordam em lembrá-la pequena e frágil na sua constituição física, de passo ágil, apressado, que parecia que cortasse o ar; era uma figura magra, diminuta e também com características opostas:
“Forte, viril, impulsiva, e imensamente sensível”; “medrosa e audaz ao mesmo tempo”; “não obstante a cordialidade lhe vinha espontânea, era por natureza muito tímida”.
“Tinha uma vontade férrea; era de caráter sociável e tímido, engraçado e amável”.
“Dócil e batalhadora ao mesmo tempo... Uma espécie de mistura de doçura e espírito de combate”.
Era inteligente, intuitiva, poética; tinha “dotes excepcionais de mente e de coração;… memória excepcional, especialmente para as datas”.
A riqueza de sensibilidade humana que a caracterizava a deixava exposta a intensos sofrimentos morais e espirituais, que com o dom da fé conseguia enfrentar com serenidade e esperança. “Os olhos e o olhar límpidos transmitiam muita confiança”, infundiam “otimismo e serenidade”. Essencial, austera, “inimiga do formalismo, perfeitamente livre, encontra as almas com expansão fraterna”. No decorrer de sua longa vida manifestou-se “o crescimento da ternura e da afetividade sempre contidas na dignidade e pureza de uma ”esposa de Cristo”, expressões de uma autentica maternidade espiritual acolhedora e animadora.
A vida cristã
Luisa recebeu o Batismo em 3 de novembre de 1888 no Batisterio da catedral de Reggio Emilia, e os outros Sacramentos de iniciação cristã de acordo com a modalidade tradicional da sua época: A Crisma no dia de Pentecostes de 1897, aos nove anos de idade, e a Primeira Comunhão o dia 6 de junho de 1901.
A índole profundamente religiosa de Luisa favoreceu, certamente, a sua abertura à Graça, ajudada no caminho cristão pela mãe, como ela mesma dirá, menos dos outros parentes que absorveram o clima anticlerical do seu tempo e se afastaram da pratica cristã. Neste clima familiar Luisa teve de lutar para expressar a própria religiosidade e o fervor de vida cristã que sentia crescer em si mesma; luta que a fortaleceu; luta que não a colocou jamais contra os seus irmãos, mas o seu retorno à fé e à pratica cristã constituiu a sua constante preocupação e concreto empenho por longos anos; e não foi inutilmente.
Esta situação marcará também as futuras escolhas apostolicas de Luisa, que se sensibiliçou particularmente pelos “distantes”. Pelo seu retorno à Casa do Pai prodigou-se sempre e concretamente; tal atitude se transformará numa caracteristica peculiar da missão apostolica da familia religiosa à qual dará vida.
Os estudos feitos
As condições abastadas da familia Ferrari consentiram um otimo curriculum escolar para todos os filhos: Giulio, médico; Anna (Nina) mestra e pintora; Alda, mestra; Gaetano-Ascanio, engenheiro; Naborre, agronomo. No 1907 Luisa conseguiu o diploma de habilitação para o ensino elementar. Ela mesma conta que o pai queria que continuasse os estudos na universidade, e que ele só aceitou o seu desejo de renunciar a estes porque desconhecia o verdadeiro motivo: a sua vontade, cultivada no coração, de consagrar-se a Deus. Nesse meio-tempo Luisa freqüentou cursos de aperfeiçoamento no campo educativo e cursos de música e língua estrangeira e, sucessivamente, obteve o diploma de professora de jardim.
As atividades educativas
Como professora elementar exercitou algumas suplências, mas particularmente colocou a serviço a sua cultura em diversas atividades formativas, mesmo de singular empenho diretivo como aquele na Colônia-Escola “A. Marro” de Reggio Emilia para crianças e rapazes com problemas psiquiátricos, e aquele no Instituto Cegos da mesma cidade. Dedicou-se também à formação moral-cristã de jovens obreiras, com conferencias e outras iniciativas; à assistência a filhos de aqueles que eram chamados ao serviço militar no período bélico; a múltiplas atividades educativas e de caridade, sempre dando em tudo o testemunho de grande dedicação e sacrifício. Estão documentados apreçamentos das autoridades para tales atividades beneficentes.
A vocação e a especial atração do Verbo Na juventude Luisa abriu-se ao projeto de consagração virginal a Cristo, sentida como uma graça singular para si mesma e desejável para outras e outros. Como Cristã aberta à Graça, ela “sentiu cedo uma potentíssima e docíssima atração divina ao Verbo, antes mesmo de conhecê-lo bem”: um dom particular para ela; um carisma para a Igreja e para o Seu serviço ao mundo. A experiência espiritual dessa atração caracterizou-se também por graças místicas, particularmente por freqüentes “vozes da alma” que, segundo o seu próprio testemunho, a acompanharam por toda a vida.
A caminhada franciscana
A descoberta dessa vocação coincidiu com o encontro de Luisa com São Francisco e a sua espiritualidade.
No 1907 iniciou a caminhada franciscana que a levou, não somente a virar uma Terciária fervorosa com a profissão emitida no 1909, mas também a colocar-se ela mesma a serviço da difusão do Ideal franciscano, que percebia tão evangélico e essencial.
Com o encargo de Secretária da congregação da Terceira Ordem Franciscana de Reggio Emilia (1914-1922) e depois como Ministra (1922-1923), dedicou-se à formação dos membros, em Conferencias nas quais se doava totalmente, seja na cidade como também em outros centros da Região Emilia, dando o testemunho de um singular ardor e de uma dedicação que não passava desapercebida e que envolvia os demais.
Acerca disso podem-se ler testemunhos em escritos de alguns franciscanos da época No seguimento de S. Francisco ela abriu-se ao Amor por Jesus Crucificado; amor que se concretizava em penitencias, também corporais, que requeriam muito sacrifício para o seu físico frágil; em jejuns prolongados para poder participar quotidianamente do Banquete Eucarístico; em desgostos de todo tipo assumidos na atuação das mais variadas obras de caridade e de socorro aos necessitados.
A “leitura” que Luisa - Madre Giovanna fazia dos valores vividos por São Francisco, que queria reviver e fazer reviver, é particularmente rica: “... peço a Deus, por intercessão de São Francisco, para mim, para as minhas filhas, para todos os franciscanos, que nos de o Seu fogo de amor a Deus e ao próximo, a sua imersão na Paixão de Cristo, a simplicidade da sua Fé, a pureza de sua vida, a alegria da sua fraternidade, o canto de todas as criaturas, a obediência à S. Igreja, a paixão pela Paz, a admiração por toda a criação e o ”tudo“ da sua Doutrina”.
A intuição fundamental
A intuição fundamental que caracterizou a vida e a espiritualidade de Madre Giovanna partiu da luz primordial do Verbo, do Verbo Filho enquanto preexistente à Encarnação. Por este dom ela fez-se atenta discípula da Palavra, empenhada na total correspondência a essa luz, que a levou a concentrar-se no mistério do Verbo feito Carne e na missão de preparar-Lhe o caminho. A espiritualidade franciscana em Luisa se entrelaça com a espiritualidade do pregador do deserto do mundo que prepara os caminhos do Senhor.
Em relação a isso é fundamental a experiência que teve em Savignano (Forlì), durante a Liturgia Eucarística, quando, em “um martírio de ardor apostólico” sentiu-se chamada a prolongar a missão do Batista com a obediência à Palavra: “Preparem os caminhos do Senhor”. Uma outra experiência intensíssima e fundamental foi aquela feita em Loreto onde, em 16 de julho de 1923 junto à sua primeira companheira Margherita Bertolotti depois madre Paola, lendo a escritura colocada acima do altar da Santa Casa: “Hic Verbum caro factum est”, sentiu o chamado a “glorificar a encarnação de Deus nas almas afastadas e perdidas, com uma grande obra de sacrifício e de doação absoluta pela sua vitória e pelo seu retorno”.
O Carima de Fundadora
A consciência crescente do chamado a iniciar por isso uma resposta nova e o fato de outras companheiras unir-se a ela atraídas pelo mesmo ideal, a fizeram ainda mais decidida a não deixar de lado esta vontade de Deus.
Na busca constante para responder e no discernimento do que sentia no seu espírito, sempre fez tesouro da direção espiritual de santos e sábios sacerdotes, especialmente Menores Capuchinhos.
Desde 1927 teve o conforto da direção espiritual de Padre Daniele Coppini da Torricella ofm cap., hoje venerável. Com a sua colaboração, no dia 10 de dezembro de 1929, no Oratório dito das Oito Faces em Reggio Emilia, reunirá as primeiras companheiras decididas e empenhar-se junto com ela na realização do projeto de Deus. No ano seguinte, 1930, no mesmo dia, aconteceu a abertura da “Casa de Motta Filocastro” in Calábria por parte das primeiras companheiras enviadas lá após a providencial solicitação do pároco padre Achille Fosco ofm conv.
Foi o inicio da nova Família espiritual com a denominação de “Esposas do Verbo”. Luisa, que havia adotado o nome de Madre Giovanna, empenhada em uma heróica assistência aos seus pais idosos e enfermos, deverá adiar até a morte deles, dois anos quase, a sua concreta união à Comunidade que havia fundado, primeiro na Calábria, depois na Emilia onde o grupo já se estendia com a abertura das casas de Sabbione e de Villarotta.
O exemplo apostólico
A sua presença no grupo foi sempre mais incisiva, não somente pelos evidentes dons carismáticos, mas também pelo exemplo de uma dedicação apostólica excepcional, que a viu em primeira fila na busca de traduzir em atividade missionária o que percebia do Mistério de Deus, segundo a particular leitura que o carisma lhe oferecia. A lembrança dessa sua atividade forte e exemplar permaneceu vivo, não somente nas “filhas” mas em quantos gozaram desse dom.
O mistério da Cruz na fidelidade ao carisma
A sua correspondência ao carisma de fundadora foi, desde o inicio, caracterizada pela cruz, sobretudo nos anos da “espera ardente” para ver realizado o projeto de Deus, depois nas dificuldades de acolhida que o “novo”, especialmente do estilo de vida apostólico exercitado, achava sobretudo em âmbito eclesial; cruz que se fez particularmente pesada quando o empenho apostólico intenso ao qual estava submetida, comprometeu gravemente a sua saúde física.
A cruz teve um momento culminante, certamente, nos acontecimentos relativos aos procedimentos para o reconhecimento jurídico da sua Família religiosa quando, no difícil período bélico, no entanto que estava refugiada em S. Antonio Morignone (Sondrio), na diocese de Como, devido a uma série de dificuldades e incompreensões, delineou-se uma mudança de orientação da espiritualidade do grupo. Ela, que não conseguia conceber-se se não franciscana, e que dessa espiritualidade havia nutrido a nova Família, encontrou-se tendo que lutar: “Ou franciscana, ou morta!”.
Foi um sofrimento que provou-a dolorosamente mas a levou a abrir-se ainda mais à ação do Espírito Santo. A vontade de Deus, sempre procurada, foi o ponto que a manteve filialmente abandonada ao Amor e ao mesmo tempo firme naquilo que sentia como essencial do carisma recebido pela Igreja e pela humanidade necessitada. Por essa vontade de Deus, pela fidelidade ao carisma, aceitou a deposição como Superiora Geral e o tempo de solidão em Mazzo in Valtellina, afastada da guia da sua religiosa fasmilia. Mas não parou de lutar, com o ímpeto da sua natureza e com a humildade do seu franciscanismo, para que a Igreja reconhecesse o quanto o Senhor havia lhe doado e que sentia como urgente, como contribuição para a sua missão, como tinha já eficazmente experimentado.
A alegria da agregação à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e da Aprovação eclesial.
No 1946, a Agregação das “Terciárias Franciscanas ‘esposas do Verbo’ ” à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, através do interesse de padre Bonaventura Romani de Pavullo, ministro provincial dos capuchinhos de Parma, e a ajuda competente do Procurador geral da Ordem padre Agatangelo Carpaneto de Langasco, foi considerado por Madre Giovanna um dom do Céu obtido pela intercessão de Padre Daniele Coppini de Torricella, seu santo diretor espiritual e colaborador na fundação, pouco tempo antes de falecido no dia significativo de 10 de dezembro de 1945, aniversario da fundação. A Agregação aplainou o caminho para o reconhecimento eclesial da Família religiosa. No dia 2 de julho de 1947, com a aprovação diocesana, e no 11 de outubro do mesmo ano, com o proto-decreto pontifício, o grupo, com a nova denominação de “Missionárias Franciscanas do Verbo Encarnado” achou por fim a sua colocação oficial na Igreja, confirmada com o decreto de louvor em 1972.
Missionária Franciscana do Verbo Encarnado e Superiora Geral
Madre Giovanna fortemente provada na saúde, mas feliz pela reencontrada atmosfera espiritual franciscana e agradecida pela aprovação recebida, emitiu a Profissão perpetua em 3 de julho de 1947 em S. Antonio Morignone (Sondrio) nas mãos de padre Agatangelo Carpaneto de Langasco ofm cap., delegado da Sagrada Congregação para os religiosos e os Institutos seculares. Madre Giovanna foi confirmada na guia do Instituto, no serviço de Superiora Geral; serviço que viveu sempre com a máxima dedicação, mesmo quando era provada pelas suas condições físicas.
O Zelo missionário
Nessas condições e em idade já avançada, não negou-se a enfrentar viagens missionárias desconfortáveis: de navio em 1952-1953 em Uruguai; de avião em 1961 em Uruguai e Chile; para estar perto das suas Filhas empenhadas em viver aquela abertura universal que ela sentia como própria ao seu amor e à sua missão e que o carisma solicitava a toda a Família religiosa.
Viagens sempre preparados com a partecipação à Audiencia do Papa para receber luz; experiencias emocionantes como aquela do 1952 descrita por ela: “sobre a ponte de comando, ao sol e ao vento! Ofereço, sobre a línea que divide o mundo nos dois hemisférios, as filhas e os filhos pelo triunfo de Cristo, em eles e pela salvação das almas“; oferenda coroada com o canto do Magnificat.
Em tais viagens, experimentou a urgência da missão e alegrou-se pela amplitude de horizonte que oferecia; testemunhou grande paixão e vivo desejo de “encontrar a todos para atrair todos ao Amor”, pela realização da comunhão plena com o Senhor: “Ut unum sint!”.
Na Igreja: amor ao Papa, obediencia, fidelidade.
Um forte sentido de pertença à Igreja caracterizou Madre Giovanna e um vivo amor filial ao Papa, o “dolce Cristo in terra”, acompanhou sempre a obediência ao seu magistério. Com espírito profético desejou e viu o Papa voltar “peregrino pelos caminhos do mundo”; para este auspiciado evento rezou, oferecendo-se desde 1922 pela incolumidade do Papa e quis a sua Família religiosa empenhada na mesma oferenda, como está evidenciado no artigo 11 das Contituições renovadas, como sinal de uma constante tradição.
No contexto das celebrações conclusivas do XXV de fundação do Instituto, no sulco da tradição franciscana, o Cardeal Giuseppe Siri, arcebispo de Genova, tomou posse do oficio de “Cardeal Protetor” do Instituto; isto foi para Madre Giovanna um sentir-se e um reencontrar-se, seja pessoalmente que institucionalmente, sempre mais na vida da Igreja, para viver como São Francisco, na fidelidade a Ela.
Na renovação do Vaticano II com abertura ecumênica
Este empenho de fidelidade à Igreja e a “novidade” que o carisma lhe solicitava levaram Madre Giovanna à total assunção do extraordinário evento eclesial do Concilio Vaticano II, à fervorosa atenção a promover no Instituto o espírito de renovação, em sintonia com os valores evangélicos e com o estilo de vida apostólico que desde sempre procurou viver e inculcar. Dócil ao Espírito Santo, a sua alma tinha uma abertura ilimitada, verdadeiramente ecumênica, capaz de ver, entender, assimilar o que o Senhor lhe fazia descobrir de novo e profundo.
A maternidade espiritual
Madre Giovanna nutria estima e veneração para com os sacerdotes pela sua alta dignidade e pelo seu insubtituivel ministério eclesial, ao qual ela recorria com fé. Estava sempre pronta para defender a estima deles entre o povo e, seja pessoalmente que através de suas filhas, a doar-se para ajudar o seu serviço pastoral. Consciente de um “mandato” que sentia como inserido no seu carisma de fundadora, não cansava de animar os sacerdotes que encontrava a viver com renovado zelo o seu ministério, envolvendo-os na mesma paixão pelo mistério do Verbo feito carne, estimulando-os à santidade de vida e ao espírito apostólico-missionário mais ardente, no anuncio corajoso da Palavra, na administração dos tesouros da redenção, no ser guias para uma vida de fé que si concretiza nas obras de caridade ardente para com todos, especialmente pelos pequenos, os marginalizados, os afastados.
A maternidade espiritual
O encanto dessa proposta e a urgência para responder acharam eco em alguns sacerdotes com intentos de agregação, de envolvimento comunitário. No 11 de outubro, dia da abertura solene do Concilio Ecumênico Vaticano II, a presença em Praça São Pedro de Madre Giovanna com o Padre Bonaventura Romani ofm cap. e com Padre Pier Maria Ferrari, sacerdote da diocese de Brescia, significou pôr sob a particular ação do Espírito Santo e no clima de renovação que dali surgiria, a tradução de quanto ela estava solicitando: “novos apóstolos ecumênicos”. A partilha do carisma de Madre Giovanna estimulará o sacerdote de Brescia a reunir ao seu redor um pequeno número de sacerdotes diocesanos e de leigos para construir uma Associação, denominada “Comunidade do Cenáculo” que terá entre os membros, como ligação recíproca o “sacramento” da amizade. Com a obra desse sacerdote atento a aprofundar o carisma da Madre se constituirá uma Associação feminina denominada “Comunidade Mamré”: moças leigas que vivendo o Batismo e a Crisma, colocam os seus bens em comum, para testemunhar a Caridade de Cristo, servindo aos idosos, aos doentes, aos enfermos de câncer, e aos portadores das mais variadas deficiências. Estas comunidades, fundadas por padre Pier Maria Ferrari e aprovadas pelo Bispo diocesano, reconhecem-se como uma expressão do carisma de Madre Giovanna.
Uma “mulher de Deus”
Muitas pessoas, de todas as categorias e classes, perceberam o encanto espiritual de Madre Giovanna, sentiram-se envolvidas pela sua espiritualidade e maternidade, e acharam a coragem de uma vida cristã mais empenhada, à qual ela sempre estimulava.
A sua personalidade forte e o evidente fervor carismático que a animavam, não passavam desapercebidos; muitos que a encontravam ficavam convencidos de ter encontrado uma “mulher de Deus” e diziam-se profundamente tocados no espírito por tais encontros.
Madre Giovanna, na sua longa vida, encarnou os valores da feminilidade cristã: as qualidades tipicamente femininas, transfiguradas pelo Evangelho e pelo Espírito Santo. Alguns testemunhos reforçam o fato de ela ter sido: mulher sensível, poética, de uma grande riqueza afetiva e luminoso candor virginal; quando falava de Deus as suas palavras eram como um incêndio de amor que emanava do coração e resplandecia nos olhos”.
Na defesa da Verdade e da Justiça não retrocedia jamais e estava pronta para pagar pessoalmente, afirmando com força, na voz e nos gestos, o “Non licet!”, como fez São João Batista.
Era evidente a sua intensa “paixão” pelo Verbo Encarnado: paixão da “Esposa” que O contempla e O ama em todos os seus aspectos, sobretudo como Amor-Crucificado. A sua “rica humanidade, mesmo escondendo dores profundas, não obstante em idade muito avançada, manifestava-se em uma alegria que era profunda caridade”.
Madre Giovanna tinha um grande zelo nos encontros tu a tu com as pessoas que solicitavam o seu conselho; grande dedicação na comunicação, mesmo através dos escritos, que a ocupavam durante o dia e, sobretudo nas horas noturnas. A quantidade de cartas, quase todas manuscritas e conservadas com amor pelos destinatários, dão testemunho da fé que a animava e da caridade com que se doava totalmente a todos, com viva atenção para cada um, alcançado na sua particular situação de necessidade, na vontade de ajudar, socorrer, animar, estimular a metas maiores de vida cristã, de santidade.
A “Mãe e as filhas”
A maternidade de Madre Giovanna pelas filhas expressava-se com doçura e força na hora de lhes transmitir os valores do Evangelho que eram chamadas a encarnar; com uma vizinhança amorosa a cada uma, nas diferentes situações de vida em que se encontravam, com especial atenção pelo seu caminho de santidade.
Interessava-se sempre pelos seus familiares, mantendo-se ela mesma perto deles com a oração e os escritos; e incentivava a engajá-los na graça da vocação para um incremento neles de vida cristã.
Quando no 1972 Madre Giovanna deixou a guia do Instituto continuou o seu serviço materno ao lado de cada uma das filhas, seja encontrando-as que alcançando-as através dos escritos, sempre pontual nas festas onomásticas que ela recomendava para a vida fraterna na comunidade. Indicava o exemplo dos santos e convidava a imitá-los; Santos com os quais ela vivia habitualmente em extraordinária familiaridade.
A sua preciosa contribuição pelas Contituições
Na sua posição de Fundaodra e Superiora Geral emerita continuou a acompanhar o Instituto no seu caminho de expansão e de renovação conciliar. O trabalho pela renovação dos Textos legislativas que culminou no Capítulo geral de 1981 encontrou-a atenta e ativa, firme no indicar os valores evangélicos do carisma e aberta às justas exigências do tempo. Grande foi a sua alegria, também por uma certa analogia com a experiência de Santa Clara, quando em dezembro de 1981, no contexto das celebrações conclusivas dos 50 anos de fundação do Instituto, retornada a Fiesole, recebeu as Constituições renovadas e aprovadas pelas mãos do próprio Prefeito da Congregação para a Vida Religiosa, o cardeal Eduardo Pironio.
A purificação e a oferenda
Ao longo da sua vida, Madre Giovanna foi freqüentemente provada pelo sofrimento físico e espiritual: pela sua constituição frágil, pelas enfermidades, pela sua particular sensibilidade, pelas fadigas e provas inerentes à sua missão de fundadora e guia espiritual da família religiosa; na luta entre certezas e aridez; e entre outras cosas pelas limitações conseqüentes do enfarte sofrido no 1966 e ruptura do fêmur do 1980. Reconhecedora dos cuidados amorosos que havia recebido testemunhou nas diversas situações aceitação de valorização de tais eventos de dor, nos quais sempre lia a amorosa vontade de Deus, a graça de uma purificação, a ocasião para uma oferenda. Nisso incentivou também as filhas e as pessoas que recorriam a ela nas dificuldades. Alegremente lúcida mesmo em idade avançada e jovem no espírito, concentrou-se sempre mais na oração e na oferenda: clima espiritual que caracterizou toda a sua vida pelo qual “era imersa em Deus e nas Verdades celestes como o peixe na água”. Sempre mais participe do Mistério de Cristo e querendo conformar-se à Sua imolação pela humanidade, vivia a bem-aventurança de quem confia no Senhor e a Ele se abandona.
O encontro definitivo com o “Esposo”
Mesmo nos últimos meses, quando pelos seus 96 anos de idade e o enfraquecimento geral as condições de Madre Giovanna alternavam-se entre agravamento e pequenas melhoras, “o seu quarto – disse a Superiora geral – tinha virado um lugar de oração; quem vinha a visitá-la se recolhia com prazer em oração junto dela e freqüentemente os sacerdotes celebravam a Eucaristia”. Em 1 de novembro de 1984 celebrou a Eucaristia o Bispo di Fiesole mons. Luciano Giovannetti, quem lhe administrou a unção dos enfermos. Morreu às 4:30 do dia 21 de dezembro de 1984, com a bela idade de noventa e seis anos, assistida com amor; morreu deixando atrás de si fama de santidade.
A fama de santidade
A santa morte de Madre Giovanna, acontecida no tempo litúrgico do Advento e na iminência do Natal, achou na liturgia daqueles dias paginas sublimes da Escritura, as mais adaptas à espiritualidade que havia animado a resposta a Deus de Madre Giovanna: O Cântico dos Cânticos e, sobretudo o Evangelho da Anunciação e da Visitação.
Os funerais de Madre Giovanna celebraram-se solenemente na Catedral de Fiesole o 23 de dezembro às 15 horas, presididos pelo Bispo diocesano mons. Luciano Giovannetti, com o qual concelebraram mons. Antonio Bagnoli, bispo emerito de Fiesole, mons. Camillo Ruini, bispo auxiliar de Reggio Emilia-Guastalla, o abade de Vallombrosa mons. Enrico Baccetti e outros quarenta sacerdotes diocesanos, menores franciscanos, párocos e amigos.
Numerosas as “filhas” presentes; outras, logo depois da morte turnaram-se para visitar o corpo. Significativas as representações civis e muitos fieis vindos principalmente dos lugares onde está presente o Instituto. No dia seguinte ao funeral, o corpo da Madre foi transferido a Assis onde, após a celebração eucarística com exéquias presidida na Catedral de São Rufino pelo Ordinário diocesano mons. Sergio Goretti, teve tumulação privilegiada no sarcofago preparado perto da capela da Casa de noviciado em Assis.
Ela tinha desejado assim e o havia deixado escrito em 17 de outubro de 1968: “... para ficar em unidade de despertar com o nosso seráfico Padre São Francisco... peço para ser sepultada no místico viveiro de « Plantula mea » em Assis - in perpetuo - para ser vivo, materno perene propulsor de nossa espiritualidade a toda a dileta Congregação...”.
Preciosos testemunhos documentam a fama da santidade de Madre Giovanna, seja ao interno do Instituto por ela fundado, seja ao externo. São testemunhos que florescem de um contexto de cotidianidade vivida na lembrança dela e na experiência da sua consoladora vizinhança espiritual e da sua materna intercessão diante de Deus nas diferentes necessidades.
O testemunho de Madre Giovanna como autentica franciscana, “mãe” e missionária apaixonada é certamente um “dom” de Deus à Igreja; a Obra iniciada por ela é uma providencia para os necessitados no corpo e no espírito, especialmente os mais excluídos e afastados.
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